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Ursos obrigados a andar de skate e tigres acorrentados para tirar selfies são explorados pela indústria do turismo

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A bear rides a bicycle during a show presenting the new program "From Heart to Heart" at the National circus in the Ukrainian capital Kiev.(Gleb Garanich/Reuters)

Foto: Indepedent/Reprodução

Em um dos exemplos documentados, um urso selvagem é colocado em cima de um skate, obrigado a ficar de pé e empurrado em um escorregador para o público de um circo na República Tcheca. O animal parecia doente e mal alimentado, dizem os investigadores.

Na Alemanha, filmagens mostram elefantes sendo obrigados a se sentar em cadeiras pequenas e se equilibrar em uma perna só após um treinamento cruel e desumano nos bastidores, revela a investigação.

Na Espanha, tigres são mantidos acorrentados para tirar selfies com turistas, enquanto os pesquisadores descobriram ursos vivendo em fossos insalubres, também na República Tcheca, segundo o Independent.

Acredita-se que essas práticas além de cruéis também alimentem o comércio de animais silvestres, incentivando o tráfico de animais.

Investigadores da organização internacional de bem-estar animal Four Paws filmaram um urso pardo obrigado a fazer truques, incluindo andar de skate e dançar com um bambolê para “animar” multidões no Cirkus Humberto, na República Tcheca.

Outros shows mostraram ainda leões, zebras e elefantes, segundo as testemunhas, as condições das exibições estavam “longe da vida que os animais teriam na natureza” e que “suas necessidades ecológicas simplesmente não podem ser atendidas”.

O Cirkus Humberto diz que nenhum de seus animais é “forçado” a fazer nada, que os truques “estimulam” seu cérebro e que grupos ativistas que “espalham informações errôneas” estimulam a xenofobia contra pessoas do circo.

Em um festival medieval na França, um urso amordaçado preso por uma coleira se apresentou em um banquinho e um escorregador, e os lobos tinham que pular através de aros.

“Os lobos pareciam magros demais e estressados, enquanto o urso parecia visivelmente desconfortável com a coleira e o focinheira”, disse Kieran Harkin, do Four Paws.

“Entre e depois das apresentações, os animais selvagens são trancados em pequenos trailers. Nenhuma de suas necessidades ecológicas é considerada”.

A ONG disse que em muitos casos, durante a investigação na Europa, no mês passado, os animais eram mantidos em pequenos compartimentos ou gaiolas, causando-lhes danos psicológicos e físicos.

O grupo afirma que, embora a indústria de turismo da vida selvagem da Ásia seja amplamente divulgada, pouco se sabe sobre os abusos “cruéis” que acontecem por trás e durante o show e as evidências encontradas foram descritas como “brutais”.

Nos circos alemães, os visitantes montavam nas costas dos elefantes – flagrante de crueldade pois o treinamento nos bastidores geralmente envolve ferir os animais com ganchos afiados (bullhooks).

Nos palcos de circo, eles eram obrigados a sentar em cadeiras pequenas, jogar futebol e ficar em uma perna só.

Os investigadores dizem que todos os anos há um cabo de guerra entre os elefantes e os moradores, e no inverno os animais são usados para puxar trenós.

“Os elefantes são animais que vivem em grupos, altamente inteligentes e sociais que migram e ocupam vastas áreas de terra. É extremamente cruel mantê-los fechados em pequenos espaços e explorá-los dessa forma”, disse Harkin.

“A falta de movimento em cativeiro pode resultar em problemas nas articulações ou nas costas, além do sofrimento psicológico indeterminável”.

Os turistas na Espanha estavam em risco quando brincavam e tiravam selfies com um tigre, apontaram os investigadores.

“As imagens mostram como o tigre ataca um visitante enquanto brinca com ele – comportamento esperado de um tigre, mas que torna as interações extremamente perigosas para os seres humanos”.

“O tigre é um predador que pesa cerca de 300 kg com dentes e garras afiadas. Seus instintos naturais não podem ser suprimidos”.

O tigre fêmea está entre mais de 100 outros animais silvestres alugados para produções cinematográficas e usados como acessórios para fotos turísticas.

“Os tigres são comercializados e tratados como mercadoria em toda a Europa, e isso pode aumentar ainda mais se somando ao comércio ilegal de tigres”, disse Harkin.

Em um zoológico francês, um domador de animais entrou em uma jaula sozinho com até 10 tigres; em outros lugares, os orangotangos eram mantidos em gaiolas pequenas e apertadas.

“Ironicamente, um vídeo é reproduzido antes do show, apontando a importância da conservação dos tigres. A comercialização e a exploração desses animais não têm nada a ver com a conservação dos tigres selvagens – pelo contrário”, afirmou ele.

De volta à República Tcheca, em um castelo em Cesky Krumlov, os investigadores também viram três ursos mantidos em um fosso de pedra, sem chance nenhuma de subir ou andar livremente.

O Independent pediu às autoridades do castelo e a uma empresa espanhola que promove selfies com tigres para comentar.

“É inaceitável que no século 21 seja legal na Europa abusar de animais selvagens para entretenimento”, disse Harkin.

“O que acontece com os animais quando eles ficam velhos ou doentes demais para se apresentarem ou quando os filhotes estão velhos demais para serem acariciados?”, concluiu ele.

Fonte: anda.jor.br

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