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Quando os bichos não voltam, é preciso lidar com o luto que parece não ter fim

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Todos os dias, o Campo Grande News recebe mensagens de pessoas pedindo ajuda para encontrar seus cães e gatos desaparecidos. Com uma breve espiada nas páginas de ongs de proteção animal é possível perceber que pipocam casos de animais de perdidos. A dor de perder um animal é grande e os donos garantem que o luto é semelhante ao de perder um ente querido. Mas, quando eles não voltam para casa, como lidar com essa dor?

Para Marlucia e Mirela falar do assunto ainda é motivo de choro. As duas perderam os cachorros no início do ano e até agora nem sinal dos animais. Elas admitem que não perdem a esperança, mas para conviver com a ausência elas tentam, diariamente, não pensar no assunto.

A gerente Mirela Martinez, 33 anos, diz que emagreceu seis quilos depois que o cachorro Loli, da raça rottweiler, escapou de casa. “Eu fiquei tão mal que não conseguia comer”, diz. Além disso, ela precisou amparar a filha, de apenas 10 anos, que tinha o cachorro como melhor amigo dentro de casa. “O mais doloroso é lidar com o sofrimento dela. Nenhuma mãe aguenta filho sofrer. Ele era o companheiro dela, que a acordava de manhã e pedia abraços”.

Hoje, depois de muito andar pela cidade à procura de Loli, Mirela se mudou com a família e tenta não falar do cachorro perto da filha. “Tudo na antiga casa lembrava ele, hoje é mais fácil ela chegar em casa. Também evito falar das lembranças para que ela não sofra e entenda que, talvez, ele não volte”, explica. “Mas, toda vez que ela pega o celular e vê as fotos dele, ela chora”.

O animal escapou de casa depois que o portão ficou aberto. Mirela viajava com a família no dia do desaparecimento. “Nós não sabemos como o portão abriu. Mas conseguimos ver pelas câmeras de um vizinho o Loli pela rua. Pelo visto ele escapou mesmo. Mas tudo o que eu queria era que alguém o devolvesse”, pede.

Depois de inúmeras buscas, Mirela já resgatou e encontrou outros dois cães da mesma raça. “Quase todos os dias alguém me liga. Sigo buscando notícias sobre ele. Eu falo que estou com a síndrome do ninho vazio”.

Para a arquiteta Marlucia Oliveira, 31 anos, o sentimento não é diferente. O cachorro chamado Dylan desapareceu no final do ano passado enquanto ela viajava de férias. “Eu sempre o deixava na casa de uma amiga. Dessa vez, o pai dela chegou, abriu o portão de elevação e ele saiu. Infelizmente ele não viu e minutinhos depois não o encontraram mais”, conta.

As buscas não param. Nas redes sociais, televisão e até em cartazes espalhados por estabelecimentos, Marlucia colocou a carinha do cão para tentar localizá-lo. “Eu tenho esperança porque vejo alguns casos de pessoas que perderam e depois de meses conseguiram encontrar. E eu acho que ele está com alguém que não quer devolver”, diz.

Ainda que tente não sofrer, os momentos na volta para casa são os mais difíceis. “Eu ainda estou arrasada. Quando eu chego em casa depois do trabalho é o pior momento. Sempre que eu abria a porta do apartamento, a visão que eu tinha era dele pulando de alegria, hoje, isso é muito triste”.

Eles voltam ou não? – Muita gente questiona se gatos e cachorros voltam para casa com a mesma facilidade. Nota-se que, em muitos casos, é mais fácil pegar os cachorrinhos e procurar o dono depois. Já quando se trata de gato, poucas pessoas colocam os felinos para dentro de casa afim de procurar seus proprietários.

O veterinário Antonio Defanti Junior explica, à primeira vista, além das diferenças de porte físico, as diferenças emocionais e comportamentais de ambas espécies podem influenciar na volta para casa.

“O gato (felino) é um caçador solitário. Já o cão prefere viver em grupo (pois descende dos lobos)”, afirma. “Nos dias atuais, no seio da família, ele prefere ser liderado, gosta de ter um líder para seguir, por isso, às vezes, os cães tendem a voltar para o seu lar após uma escapada”, acrescenta.

Já os gatos mantêm hábitos noturnos. “Com isso são considerados mais independente e solitários. Fazendo as vezes seus tutores sofrerem com as buscas incansáveis sem sucesso. O gato, apesar de reconhecer seu tutor, ele age de maneira própria, não atendendo as ordens dos seus donos como os cães fazem”, finaliza.

Por Thailla Torres

Fonte e foto: Campo Grande News

 

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