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O efeito cascata da covid-19 nos animais em situação de rua

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Foto Kenky/Pixabay

Pedrinho é um cão em situação de rua que vive numa praça de SP. Todo dia, religiosamente às 7h30, ele se levanta abanando o rabo porque a dona Joana chega com a sua refeição. Mas já faz algum tempo que ela não aparece porque dona Joana pegou a covid-19. Pedrinho é paciente e espera até ás 9h.

Então sai em busca de comida. Vai até o bar onde costumeiramente os frequentadores lhe jogam restos – mas não tem ninguém tomando café lá. Pedrinho passa pelo ponto de ônibus que está sempre cheio de gente e onde ele também ganha umas migalhas. Vazio. Então ele avista uns sacos de lixo e se anima em vasculhá-los, mas logo percebe a presença de outros dois cães rasgando os sacos e eles não parecem querer dividir os restos.

Pedrinho e dona Joana foram criados para ilustrar essa matéria, mas eles representam, de verdade, centenas de casos que estão ocorrendo como “efeito cascata” da pandemia da covid-19. Muitas protetoras e protetores estão doentes ou, devido à idade, em restrito isolamento. Alguns voluntários que ajudam nos abrigos de animais também não estão podendo sair de casa ou porque já foram infectados ou porque estão cuidando de parentes doentes.

E o pior é que o abandono de animais também se acentua como consequência de uma falsa informação de que cães e gatos podem transmitir a covid-19. Não podem. Orgãos de saúde pública e associações internacionais de veterinários atestam que os animais domésticos não são infectados e nem transmitem a covid-19 para as pessoas. Existem sim coronavírus caninos e felinos que atingem exclusivamente esses animais por meio de doenças já conhecidas de todo mundo que tem animais.

Por causa do alto índice de abandono e da queda brusca de adoções de animais, vários abrigos americanos estão fazendo uma campanha que pede para que as pessoas dêem lar temporário para os animais durante a crise. A falta de funcionários e de espaço compromete o acolhimento de cães e gatos que podem, inclusive, serem mortos em câmaras de gás em diversos canis públicos e privados dos EUA. Vários desses abrigos ainda matam os animais que estão alojados há mais tempo para abrir vagas aos que estão chegando.

Felizmente, no Brasil, o bom senso ainda existe em alguns parques e cemitérios onde protetores estão podendo levar a alimentação diária para colônias de gatos. Aliás, essa medida tem sido aplicada em outros países como Espanha e Portugal, que já estão permitindo a circulação de um protetor por vez entrando nos locais onde dezenas de gatos dependem unicamente do cuidado humano. A receita é simples: cuidar dos animais em situação de rua implica diretamente em também proteger a saúde humana de zoonoses.
Mas os protetores e todos que amam animais sabem que o pior ainda está por vir.

Os protetores de todo o Brasil têm hoje um sentimento de medo por eles mesmos e por todos que dependem deles seja nas ruas, nas praças, nos parques, nos cemitérios ou nos abrigos. E deles vem um apelo: coloquem ração e água em suas portas e na calçada de suas casas. Fique em casa, mas ajude um animal carente com um gesto simples e seguro.

Fátima ChuEcco é jornalista ambientalista  e atuante na causa animal

Fonte: anda.jor.br

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