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Investidores trilionários advertem Brasil sobre o desmantelamento de políticas ambientais

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Redação | Layse Ventura 

Carta assinada por 29 organizações, incluindo a Church of England, afirma que instituições financeiras têm o dever de tentar resolver a mudança climática.

Pixabay

Investidores que gerenciam trilhões de dólares em ativos advertiram o Brasil de que o crescente desmatamento e o desmantelamento de políticas para proteger o meio ambiente e as comunidades indígenas estão “criando uma incerteza generalizada sobre as condições para investir”.

A destruição da Amazônia aumentou para seu maior nível em mais de uma década no ano passado, o primeiro sob a liderança de Jair Bolsonaro, um nacionalista de extrema direita que prometeu desenvolver a região e reduzir proteções ambientais.

Na terça, um dos últimos capítulos de uma intensa campanha de pressão internacional, instituições de vários países, incluindo os Estados Unidos, o Reino Unido, a Noruega e o Japão falaram aos líderes brasileiros que a devastação – que continuou a crescer este ano – tem de parar.

“É com grande preocupação que nós acompanhamos a tendência crescente do desmatamento no Brasil”, disse o grupo, que gerencia US$3.7 trilhões em ativos, em uma carta ao Governo brasileiro.

“Como instituições financeiras, que têm um compromisso fiduciário em agir nos interesses em longo prazo dos nossos beneficiários, nós reconhecemos o papel crucial que as florestas tropicais desempenham para administrar a mudança climática, proteger a biodiversidade e garantir os serviços ecossistêmicos”, acrescentou a carta.

Jeanett Bergan, diretora responsável por investimentos na KLP, o maior fundo de pensão da Noruega e um dos 29 signatários da carta, disse ao The Guardian que a carta tinha a intenção de sinalizar aos líderes brasileiros que “o que está acontecendo lá [aqui] está indo na direção errada”.

“Nós temos rígidas diretrizes para nossos investimentos de forma que se há um risco inaceitável de contribuir para séria degradação ambiental ou violação dos direitos humanos, nós precisamos considerar o desinvestimento. E o que está acontecendo no Brasil atualmente é muito alarmante e põe um alto risco tanto para degradação ambiental quanto para violação de direitos humanos”, disse Bergan. “Por isso que nós temos que trabalhar seriamente esta questão”.

O grupo – cujos signatários também incluem o Legal & General Investment Management e a Church of England – expressaram preocupação sobre propostas legislativas controversas para legalizar a ocupação de terras públicas e as florestas e o impulso apoiado por Bolsonaro para abrir terras indígenas à mineração comercial.

Eles também ressaltaram os recentes comentários do atual Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, sugerindo que a Covid-19 proporcionou uma boa cobertura para levar a cabo a desregulação, já que os jornalistas estavam distraídos.

“[Nós] suplicamos ao governo do Brasil para que demonstre um claro comprometimento em eliminar o desmatamento e proteger o direito dos indígenas”, escreveram os investidores.

A carta foi publicada após sete firmas de investimento europeias anunciarem, na semana passada, que elas iriam excluir de seu rol produtores de carne, comerciantes de grãos e até mesmo títulos públicos brasileiros. “A tendência que nós temos visto no Brasil é preocupante” disse à Reuters Daniela da Costa-Bulthuis – gerente de portfólio do Brasil para a Robeco, administradora de ativos na Holanda.

No último ano, o The Guardian publicou uma série de investigações mostrando a ligação próxima entre a indústria de carne bovina no Brasil e o desmatamento na Amazônia. Em dezembro, uma análise do jornal mostrou que os incêndios que atingiram a floresta eram três vezes mais prováveis de ocorrer nas zonas de criação de gado.

A condenação internacional de como Bolsonaro lida com o meio ambiente, a qual atingiu um pico nas queimadas do último ano, despertaram alguma reação do governo brasileiro.

Em janeiro, o Brasil anunciou a criação de um “Conselho Amazônico” supostamente com a tarefa de defender a maior floresta tropical do mundo e colocou o vice-presidente Hamilton Mourão em cargo desses esforços.

Porém, Rubens Ricupero, ex-ministro brasileiro do Meio Ambiente, disse que ele suspeitava que o plano antidesmatamento fosse pouco mais do que “pura relações públicas”, projetada para enganar o mundo.

“Eu sou muito cético”, disse Ricupero, observando que o desastroso crescimento no desmatamento continuou neste ano.

“Esse não foi um aumento pequeno. Esse foi um aumento gigantesco – e até agora não há fato que justifique pensar que o governo está genuinamente preocupado com isso”, acrescentou Ricupero.

“Mesmo que o governo conseguisse desmatamento zero [para o resto de 2020], ainda assim este ano seria pior do que o ano passado. E nunca nenhum governo brasileiro conseguiu o desmatamento zero, não importa o quanto eles tenham tentado no passado.”

Ricupero disse que a pressão de investidores internacionais seria uma preocupação de médio prazo para a administração de Bolsonaro, já que ele visa reconstruir a maior economia da América Latina com uma série de grandes projetos de infraestrutura pós-pandemia.

“Agora, não há nenhum investimento, do Brasil ou de estrangeiros. Mas a preocupação é que conforme a pandemia comece a enfraquecer, o governo irá querer reviver a economia… e para isso o governo vai precisar ser capaz de atrair investimentos de outros países.”

Fonte: anda.jor.br

 

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