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Criadores querem a liberação da cruel corrida de galgos no Brasil. E financiada com dinheiro público

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Os criadores de cães raça galgo no sul do Brasil planejam a liberação das corridas com apoio político local e o de criadores de outros países sul-americanos. Obtiveram verba federal para a construção de um canódromo em Bagé (RS) e pretendem dar início a sua construção.

Existe uma relação muito próxima entre galgueiros do Brasil e os de países vizinhos já que, com a proibição das corridas no Uruguai e Argentina, Bagé acabou atraindo criadores destes países para realização de disputas internacionais. Também há registros de provas em Santana do Livramento, Quaraí e Uruguaiana. Os galgueiros sul-americanos apoiam as tentativas dos brasileiros alcançarem apoio junto aos políticos locais para promover corridas.

O prefeito Divaldo Lara (PTB) da cidade de Bagé, Rio Grande do Sul, conseguiu uma verba de R$ 251 mil reais do Governo federal via emenda parlamentar do deputado Marcon (PT) diretamente do Ministério do Turismo para construir o canódromo de Bagé. A obra para fazer o ‘Centro de Eventos da Pista de Galgos’ foi aprovada e a empresa FQC Construções deu uma previsão de quatro meses para que seja erguido no Parque do Gaúcho, o canódromo, com uma estrutura de 150 metros quadrados com salão, cozinha, banheiros e churrasqueira.

Bagé já tem um pista de corridas desde 2012, onde os criadores do município treinam e competem seus animais nos finais de semana. Uma lei sobre as corridas foi aprovada por unanimidade em Uruguaiana, tornando as corridas de galgos um ‘patrimônio cultural’. Porém, a felizmente ela foi vetada pelo prefeito Ronnie Mello (PP).

A raça galgo é relativamente dócil, o que facilita o manejo e a grande quantidade necessária de reproduções forçadas. São necessários centenas de filhotes para garantir um vencedor, já que a raça tem uma lista grande de problemas de saúde e tempo de vida reduzido devido aos excessos das corridas. Filhotes e adultos são treinados para correr, mas ‘corridas’ não tem sentido na cabeça canina, portanto os criadores precisam de diversas técnicas (violência, eletrochoques, inanição, drogas e agulhas ou faquinhas para estimular o disparo na pista) para ‘convencer’ os cães a correr desembestados atrás de uma lebre ou avestruz (nem sempre mecânica) para chegar na frente dos outros cães, todos correm de focinheira para não morderem uns aos outros e as pessoas que os obrigam a correr. Esses cães corredores nem sempre sobrevivem até sua próxima corrida, morrem ali mesmo na pista, ou depois dentro das suas baias.

A corrida de galgos é legalizada em 8 países, Reino Unido, Irlanda, Nova Zelândia, Austrália, Estados Unidos, Vietnã, China e México, mas está em declínio. Não há público suficiente e depois da regulamentação e obrigatoriedade de cuidados com os cães, o alto lucro desaparece e a maioria dos criadores e pistas de corrida não ganham o suficiente para manter o negócio.

Nos países de primeiro mundo, o número de apostadores hoje é tão pequeno que pouco se houve sobre corridas de cães na mídia ou mesmo no próprio local das corridas. Apenas em países de terceiro mundo, devido a clandestinidade é que existe um maior interesse em ganhar dinheiro com esse tipo de negócio.

Ano passado, na Inglaterra, morreram mais de 1.000 cães, dentro e fora das corridas. E os cães que não tem mais valia são mortos pelos criadores. Alguns dos sobreviventes ainda são explorados como reprodutores e os mais “sortudos” acabam em abrigos especializados na raça.

A raça galgo é sensível e tem muitos problemas de saúde, por isso são necessários milhares de cães para conseguir manter a prática.

Alguns do problemas de saúde incluem; doenças do coração, artrite e artrose, doenças graves de pele devido ao constante atrito com as barras de metal nas baias de corrida, degeneração ocular, queda de pelo, alergias de pele e inflamações crônicas devido a anatomia corporal magra com ossos proeminentes, graves calosidades e ressecamento de pele, doenças vasculares, câncer de variados tipos e graves problemas intestinais, como o ‘inchaço estomacal’ que leva o cão a morte em algumas horas. Os criadores conhecem esses problemas e mesmo assim continuam a forçar a reprodução

O Movimento Galgo Livre Brasil, Galgo Libre Chile, Galgo Libre Uruguai e Proyecto Galgo Argentina estão unidos e têm feito um trabalho pioneiro na América Latina. Alguns já tiveram êxito na proibição das corridas em seus países.

Galgo Livre é uma campanha que iniciou a partir da Lei n. 27.330 que proibiu as corridas de galgos na Argentina e seguiu em países do Mercosul como Uruguai, Chile e agora no Brasil.

O objetivo dessa campanha é abrir os olhos da sociedade para impedir a mudança de lei no Brasil, bem como ajudar no resgate e posterior adoção dos galgos evitando maus-tratos, abusos e a crueldade a que a espécie é submetida, juntamente com os outros animais (iscas) usados nos treinamento para as corridas.

Além da crueldade animal, essa campanha também ajuda a impedir a cultura do meio das apostas como ocorre e ocorreu nos outros países sul-americanos como jogo clandestino, tráfico de drogas, corrupção, parasitismo, exploração de menores, movimentação de dinheiro de origem espúria. Os galgueiros procuram disfarçar seu negócio como ‘tradição ou patrimônio’ nos países participantes.

Como é a vida dos cães corredores? Eles passam a maior parte do dia trancados ou amarrados. Eles são drogados com uma miríade de substâncias, como arsênico, estricnina, cocaína, metanfetaminas, cardiotônicos, sildenafil, cafeína, etc. Esses medicamentos podem ser adquiridos nas mesmas pistas, nas redes sociais ou pelo correio. Portanto, ao proibir as corridas de cães em nível nacional, luta-se também contra o tráfico de drogas. Greyhounds (ou galgos) são treinados para correr cruelmente, amarrados a um veículo, em esteiras ou rodas de sangue, e também são forçados a viajar muitos quilômetros várias vezes ao dia. A crueldade se estende a outras espécies que são utilizadas como iscas: galinhas, corujas, cervos, peixes, lebres, javalis, porcos, emas, guanacos e filhotes de animais, estes vem da caça dos animais maiores com ajuda dos mesmos cães galgos. Por volta dos 3 anos, os galgos não conseguem mais correr, pois seus corpos foram explorados ao máximo. Esse estilo forçado de vida deixa sequelas como danos ao fígado, rins, tremores constantes e convulsões. Em seguida, os cães ‘inúteis’ são abandonados e deixados para morrer de fome. Apenas cães vencedores são usados como “sparring” em duelos. Raros são os casos de cães que atingem os sete anos de idade, e quando isto acontece é por interesse do galgueiro em obter uma “linhagem” através de reproduções forçadas.

Essas são as cidades gaúchas “galgueiras” como Bagé, Santana do Livramento, São Gabriel, Uruguaiana, Quaraí, Lavras do Sul, Santo Antônio da Patrulha, Rio Grande, Arroio Grande, Tupãnciretan, São Gabriel, Santa Maria, e outras, . Muitas outras cidades não aparecem na lista da rota galgueira mas mantém criadouros que atraem muitas pessoas que talvez ainda não conheçam a infinidade de crueldades que há por trás da “paixão por galgos”. E para atrair o fãs mais jovens, galgueiros experientes usam as redes sociais,

Vale lembrar que esta prática já se estende por outros estados do Brasil, como Santa Catarina e Paraná, onde os galgueiros conseguiram inclusive promover corridas nas cidades de Balneário Gaivota e Araranguá. Infelizmente essas cidades tem além dos adeptos da prática das corridas muitos galgos abandonados nas ruas, causando problemas para as cidades e seus entornos, que tem que arcar com as despesas, trabalho de adoção e cuidados com seus animais carentes. O galgueiros não se responsabilizam pelas consequências do seu negócio e deixam para a sociedade resolver.

O movimento contra as corridas alerta: “É necessário prestar muita atenção em quem são as pessoas e os políticos que incentivam essa prática abominável, uma atividade que não tem mais lugar em uma sociedade no século 21. A época das barbáries e disputas cruéis deveria ter ficado no passado mas ainda não conseguimos melhorar o suficiente como sociedade para enxergar o significado das coisas. E finaliza: “Diante dessa realidade incontestável, a sociedade deve ter a convicção e a força necessária para impedir a liberação das corridas de cães em todo o país. Esse é o único caminho para desmantelar a base desta indústria cruel e sangrenta.”

Por Flavia B. Bannister

Fonte e foto: Olhar Animal 

 

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