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Perfil de empresa é atacado nas redes sociais após publicar selfie com elefanta Haisa morta, em Sorocaba, SP

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 Foto: Reprodução/Instagram

A empresa que prestou o serviço de raio-X no corpo da elefanta asiática Haisa, em Sorocaba (SP), foi atacada na web depois que publicou uma foto de uma funcionária ao lado do animal morto, na quinta-feira (19).
Antes de ser enterrada no Parque Natural Chico Mendes, o corpo de Haisa passou por exames de necropsia para identificar a causa da morte e o processo foi acompanhado por especialistas do Instituto Adolfo Lutz, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade de São Paulo (USP). O laudo deve sair em 45 dias.

No entanto, a empresa contratada para fazer raio-x publicou fotos com um texto sobre a elefanta em um rede social e recebeu críticas. Em uma das imagens, uma mulher apareceu sentada e pisando no que aparentemente seria sangue. No texto, a publicação trazia :

“Hoje, nossa equipe teve a oportunidade de auxiliar no diagnóstico Post Morten da Elefanta Haisa, que se livrou da vida no circo e por muitos anos viveu no zoológico Quinzinho de barros, em Sorocaba-SP, superando a expectativa de vida da espécie, chegando aos seus 60 anos. Proporcionando muitos momentos de alegria aos habitantes da cidade.”

Em nota ao G1, a Scan Pet explicou que foi contatada para fazer a radiografia das articulações da Haísa de forma voluntária e que fez a publicação em forma de homenagem ao animal.

“Em razão dessa homenagem uma pessoa sem nossa autorização fez uma ‘repostagem’ imprimindo significados totalmente diferentes de nosso amor e responsabilidade para com os animais. Essa atitude acabou sendo mal interpretada por outros internautas e acabamos por sofrer ataques injustos o que nos obrigou a apagar a postagem mesmo sabendo que ela se tratava de uma singela homenagem a Haisa.

Reafirmamos nosso amor e respeito a todos os animais e gostaríamos de deixar nosso repúdio a atitudes como essa, que julgam sentimentos sem conhecê-los, que podem causar graves danos e injustiças a pessoas de bem e levar a outras pessoas a também fazerem julgamentos equivocados sem conhecerem todos os lados da história. Nossa empresa não tem conhecimento sobre a criação do animal e outras informações sobre a vida da Haisa. Fomos contactados apenas para a realização do exame, para elucidar a patologia que sofria em seu membro.”

Ao G1, a Secretaria do Meio Ambiente e Sustentabilidade (Sema) informou que lamenta a atitude e que não tinha conhecimento dessas imagens.

“Trata-se de uma empresa que prestou o serviço de Raio-X. A Sema vai notificar a referida empresa e apurar as responsabilidades.” 

Enterro com salva de palmas

Um dia depois da morte da elefanta asiática Haisa, uma força-tarefa foi montada por equipes do zoológico da cidade nesta quinta-feira (19) para enterrar o animal em uma área do Parque Natural Chico Mendes.

Um trator foi usado para abrir a cova e um guindaste para retirar o corpo do animal, que chegou em um caminhão por volta das 15h30. O enterro ocorreu por volta das 16h.

Cerca de 15 funcionários trabalharam no local e prepararam o solo com cal para receber o corpo de Haisa. Na sequência, a elefanta foi içada pelo guindaste e colocada na cova. Um trator foi usado para colocar a terra de volta.

Após o enterro, os funcionários do zoológico se reuniram na área e fizeram uma salva de palmas para homenagear a elefanta. 

Morte

O anúncio da morte foi feito pela Secretaria do Meio Ambiente e Sustentabilidade (Sema) na noite de quarta-feira (18), horas depois que uma ONG informou ter entrado na Justiça para apurar a situação do animal, que sofria de artrose. Além da ONG, o Ministério Público abriu um procedimento preparatório.

Segundo a Sema, um guarda civil municipal fazia patrulhamento no local quando presenciou o momento em que Haisa morreu perto do recinto. Não foi informado como teria ocorrido a morte do animal.

Na madrugada seguinte, o animal foi retirado do zoo com a ajuda de um guindaste e transportado até o hospital veterinário de uma universidade particular de Sorocaba por um caminhão.

 Apuração

Haisa chegou a Sorocaba em setembro de 1995, já adulta. Antes, ela era um animal de circo. A prefeitura estima que Haisa tinha mais de 60 anos, sendo considerada idosa.

No entanto, vídeos que foram publicados nas redes sociais afirmam que ela não conseguia caminhar ou se alimentar e tinha machucados pelo corpo.

Segundo a ação do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal na Vara da Fazenda Pública de Sorocaba, ela parecia apresentar infecção e necrose nas patas, não conseguindo se firmar em pé.

Segundo o promotor Jorge Alberto de Oliveira Marum, a averiguação do caso seria preliminar por parte do MP.

Conforme a prefeitura, desde o mês de maio a elefanta vinha apresentando dificuldade locomotora. Uma avaliação clínica mostrou aumento de volume em membros torácicos e enrijecimento articular nos cotovelos. Após exames, foi constatado um quadro de artrose, uma doença degenerativa que não tem cura.

“Haisa vinha sendo medicada com anti-inflamatórios, analgésicos e condroprotetores (complementos que estimulam a nutrição, hidratação e regeneração das cartilagens), e estava apresentando melhora satisfatória. Todos os demais cuidados em prol da qualidade de vida da Haisa, além do controle da artrose, vinham sendo tomados por toda a equipe do zoológico de Sorocaba”, informou a prefeitura, em nota.

Na natureza, o elefante-indiano é encontrado nos campos abertos da Índia, Sumatra e Ceilão. O animal tem na alimentação o capim, brotos macios e frutas. Ele pode pesar de três mil a quatro mil quilos e vive em média 60 anos.

Por Carlos Henrique Dias

Fonte: G1

Nota do Olhar Animal: Manter a elefanta nas condições de exploração em que era mantida e depois render homenagens quando ocorre sua morte soa bastante como hipocrisia. Esperamos que o Ministério Público tome todas as providências para apurar as circunstâncias da morte.

 

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