Início DESTAQUES Celebridades que apoiam a caça prejudicam esforços globais de conservação

Celebridades que apoiam a caça prejudicam esforços globais de conservação

21
0

Laura de Faria e Castro | Redação ANDA

Foto: Pixabay

Lideranças cientistas alertaram que a conservação global está sendo prejudicada pelo poder das celebridades depois que sofreram ameaças de morte e abusos em uma disputa hostil sobre a caça por troféu.

Grupos como o “Campaign to Ban Trophy Hunting” (Campanha para Banir a Caça por Troféu) e “Born Free” (Nascidos Livres) estão pressionando os governos do Reino Unido e dos Estados Unidos para proibir a caça por troféus e contam com o apoio de muitos nomes famosos, grande parte do público e mais de 150 parlamentares em todo o espectro político.

Muitos deles assinaram uma carta aberta pedindo a proibição, que os cientistas dizem conter informações enganosas.

Vários cientistas disseram ao “Guardian” que a tomada de decisões políticas e os abusos dirigidos a eles estão sendo alimentados pelo que eles descrevem como “mitos movidos pela emoção e pela moralidade que ignoram fatos críticos”.

Eles também alertam que uma campanha bem-intencionada, mas mal informada sobre a questão emocional, corre o risco de colocar milhões de hectares de habitat selvagem e meios de subsistência africanos em perigo.

Embora a caça por troféus mal regulamentada tenha tido um impacto negativo historicamente em algumas populações de vida selvagem, há ampla evidência, incluindo da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN), que para muitas espécies ameaçadas, como o rinoceronte negro, rinoceronte branco, leão e markhor, a caça por troféus bem regulamentada trouxe aumentos populacionais e reduziu ameaças maiores.

Os conservacionistas dizem que, quando os habitats são gerenciados para a caça, isso pode proteger muitas outras espécies ameaçadas que vivem na mesma área.

Em 2019, 133 importantes cientistas e representantes da comunidade advertiram em uma carta à revista “Science” que proibir a caça sem implementar alternativas viáveis ​​para proteger o habitat e gerar receita para as comunidades locais colocaria a biodiversidade em perigo.

Os cientistas envolvidos dizem que isso levou a uma onda de abusos, inclusive de grupos de campanha anti-caça e celebridades. Dra. Amy Dickman, uma conservacionista de leões da Universidade de Oxford, que recebeu financiamento de grupos pró e anti-caça, foi a primeira autora da carta da “Science” e disse ter recebido vários ataques verbais.

O ator e ativista do bem-estar animal Peter Egan a chamou de “uma cientista muito limitada”, enquanto outros a acusaram de ser uma “porta-voz paga” para caça ou a chamaram de “um monstro” e “uma vadia sádica distorcida”. Dickman afirma que outro disse que adoraria ver seu rosto arrancado por leões.

Ela também foi convidada a deixar uma reunião no parlamento de políticos, ativistas e a mídia organizada pela Campanha para Banir a Caça por Troféu. Ela não está sozinha: outros signatários da carta relataram abusos semelhantes.

Os cientistas dizem que tais ataques impedem as pessoas de apontar quando informações enganosas estão sendo disseminadas.

Adam Hart, professor de comunicação científica da Universidade de Gloucestershire, disse: “Muitos cientistas conservacionistas estão com medo de se envolver neste debate, pois é tão tóxico. Algumas pessoas me chamaram de mentiroso para a indústria da caça, o que é uma bobagem absoluta. Recebemos insultos pessoais contra a nossa integridade profissional apenas por tentar envolver as pessoas com a ciência e tentar limitar a perda de vida selvagem que ocorrerá se a caça por troféus for proibida”.

Fonte: anda.jor.br

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui