Início NOTÍCIAS Tutora lamenta morte de cachorro envenenado: ‘o melhor cão que já tive’

Tutora lamenta morte de cachorro envenenado: ‘o melhor cão que já tive’

18
0

Mariana Dandara | Redação ANDA

Bentley, um cachorro da raça rottweiler de um ano de idade, foi assassinado no mês passado na cidade de Guarujá, no litoral do estado de São Paulo. A morte por envenenamento é investigada pela Polícia Civil, que recebeu denúncia feita pela tutora do animal. A bacharel em direito Luíza Abduch sofre com a ausência do cão, que era tratado como membro da família, e relata que o crime aconteceu dias depois de um vizinho fazer ameaças contra o cachorro.

No dia 1º de março, um professor de 55 anos que mora no mesmo condomínio residencial que Luíza foi ao local de trabalho do namorado dela e, segundo a tutora do cão, reclamou dos latidos do cachorro durante a noite. Ao receber a resposta de que quem latia eram outros cães da vizinhança, o homem teria ficado irritado e afirmado que, se fosse preciso, resolveria a situação por conta própria.

Bentley vivia em um terreno nas proximidades do prédio onde Luíza mora. Além dele, a bacharel em direito tutela Bruce, outro rottweiler adotado recentemente. Em um perfil no Instagram criado para os cães, a tutora contou que os vizinhos do terreno gostavam dos animais e não reclamavam de latidos. Segundo a tutora, no dia em que seu namorado recebeu a ameaça em relação a Bentley, Luíza foi à casa de todos os vizinhos da rua, perguntando se os cachorros causavam algum incômodo. “Todos os vizinhos responderam que não”, escreveu.

Após o assassinato do cachorro, Luíza encontrou imagens de câmeras de segurança da região que, segundo ela, flagraram o vizinho que fez as ameaças indo em direção ao terreno onde os cães viviam, carregando uma sacola na mão. Minutos depois, o homem foi filmado retornando para sua casa.

Além de obter as imagens para anexar ao caso como prova do crime, a bacharel em direito também reuniu 12 testemunhas e um laudo técnico, elaborado após necropsia, que detectou uma grande quantidade de chumbinho no organismo de Bentley – veneno com venda proibida – e confirmou a morte do cachorro por envenenamento.

“Sabemos que a justiça brasileira é falha no que diz respeito aos animais, mas temos fé que a Lei Sansão irá prevalecer e o culpado pagará por esse ato covarde. Precisamos da ajuda de todos vocês para fazermos barulho e pedirmos justiça por Bentley”, escreveu a tutora do cão nas redes sociais.

A Lei Sansão, a qual Luíza se referiu, foi sancionada no final de 2020 e aumentou a punição para crimes cometidos contra cachorros e gatos. Com a nova legislação, os casos de crueldade contra esses animais passaram a ser passíveis de punição de até cinco anos de prisão, além de multa e da proibição de tutelar animais.

“Um ser inocente de apenas um aninho muito amado, bem cuidado e mimado agonizou por horas no chão por culpa de uma maldade sem tamanho, e nós queremos justiça”, reforçou Luíza.

Além da denúncia à polícia, a tutora recorreu às redes sociais para mobilizar internautas, e funcionou. No final do mês de março, Luíza contou, em uma publicação no Instagram, que a mobilização deu voz ao caso e chamou a atenção do delegado Bruno Lima, protetor de animais e deputado estadual de São Paulo. “O delegado Bruno Lima entrou em contato comigo e irá me ajudar! Vamos continuar lutando por justiça pelo meu filho! Peço que não marquem mais ninguém no meu post para que outros casos consigam chegar até ele também, mas peço que continuem compartilhando, porque quanto mais voz tivermos, mais conseguiremos justiça. Muito obrigada”, escreveu.

Amor incondicional

Em publicações nas redes sociais, Luíza deixou claro que sempre tratou Bruce e Bentley como membros de sua família e que eles nunca foram explorados para proteger imóveis – prática cruel que reduz animais à condição de objetos a serviço das necessidades humanas e que frequentemente os condena à solidão e a maus-tratos.

“Meus cachorros não eram cães de guarda. Eles estavam lá temporariamente, o futuro deles era comigo, o Ben era meu, o Bruce foi adotado já adulto depois. Não cabiam dois rottweilers aqui. O Bruce, para não ficar sozinho, ficava com a companhia do Ben. A pandemia atrasou nossos planos”, contou a tutora. Segundo ela, por dificuldades financeiras ocasionadas pela pandemia de coronavírus, a mudança para um imóvel que coubesse os cachorros foi adiada e, por isso, os rottweilers permaneceram no terreno, mas tinham sempre a companhia e os cuidados da tutora, que após passar algum tempo com eles, se despedia dizendo: “estamos quase conseguindo, vocês vão sair daqui logo logo”. “Mas o tempo foi cruel conosco, não deu tempo dos nossos planos se concretizarem”, lamentou Luíza.

“Ele [Bentley] tinha uma cama personalizada com o nome dele que me custou o olho da cara, coleira, comedouro, vacinas em dia, vermifugado regularmente, banho de 15 em 15 dias, limpava a orelha 2 vezes por semana e se vocês caçarem bem no meu Facebook, devem achar até vídeo dele escovando os dentes! Sim, ele escovava os dentes uma vez por semana. Ele ficava no lugar mais confortável do mundo, temporariamente, e era um cachorro muito feliz, com 600 m² para correr e uma casinha enorme e confortável”, contou. Luíza reforçou ainda que os cães não latiam e que o vizinho os confundiu com outros cachorros da vizinhança. “Quem conhece rottweiler sabe que eles não passam a noite latindo não”, disse a tutora.

Além de bem cuidados, os cachorros eram unidos e se amavam muito. A tutora contou que não podia separá-los, senão Bruce passava a noite chorando de saudade e que Bentley procurava ao redor quando a ouvia perguntar “cadê o Bruce?”.

“Por que me tiraram um serzinho que eu amava tanto?”

O luto e a saudade se tornaram companheiros de Luíza, que desde o assassinato de Bentley faz publicações nas redes sociais falando sobre o quão triste tem sido viver sem o cachorro. “Por que comigo? Por que com ele? Por que eu estou tendo que sofrer assim? Por que me tiraram um serzinho que eu amava tanto? Nunca tive vergonha de falar ou demonstrar que você era a minha vida todinha! E fazia tudo por você, e sei que você por mim. E eu nunca vou conseguir entender porque você viveu tão pouco e porque a sua missão foi tão curta!”, escreveu a tutora.

“É cruel, dói demais meu coração saber que sua missão foi realizada em um espaço tão pequeno de tempo. Dói demais não ter tido a oportunidade de ter me despedido de você, de ter falado no seu ouvido que eu te amei mais que o mundo”, completou.

Como Bruce foi adotado já adulto e, antes de ser conquistado pela nova família, era um cachorro anti-social, Luíza prefere pensar que talvez a missão de Bentley tenha sido mudar a vida dela e salvar a vida de Bruce, que passou a ser um cachorro mais feliz com a companhia do cão que, meses depois, foi assassinado, e que era seu melhor amigo.

Preconceito contra rottweilers

“Sentimento hostil, assumido em consequência da generalização apressada de uma experiência pessoal ou imposta pelo meio; intolerância”. Assim é definida a palavra “preconceito” pelo dicionário e é essa palavra que resume comentários desrespeitosos recebidos por Luiza Abduch desde que ela passou a usar as redes sociais para denunciar o assassinato de Bentley.

“Recebi comentários maldosos de que pit bull e rottweiler deveriam todos morrer”, escreveu a tutora dos cães em uma publicação nas redes sociais. O relato expõe o risco que cachorros dessas raças correm em uma sociedade repleta de pessoas que se deixam levar por preconceitos alheios e os incorporam às suas vidas.

Inúmeros tutores de rottweilers podem atestar o quão dóceis são esses cães. O mesmo podem fazer famílias que tutelam pit bulls. Fotografias antigas que mostram pit bulls cuidando de crianças, e que deram a eles o título de “babás”, também provam que pit bulls são cães como quaisquer outros. Especialistas em comportamento animal e veterinários também reforçam que cachorros de qualquer raça, e até mesmo os que não possuem raça alguma, podem se tornar anti-sociais em decorrência de uma possível má criação. O que não ocorre de maneira diferente com humanos que, assim como os cães, muitas vezes reagem de maneira inadequada após passarem por situações traumáticas.

Mas, embora existam preconceituosos em meio à sociedade, há também pessoas que possuem corações tão bons quanto o de Bentley, que, segundo Luíza, “era um amor de cachorro”, que gostava de abraços de crianças e nunca fez “mal para ninguém”. E são esses bons seres humanos, capazes de perceber que cães têm muito a nos ensinar sobre amor, que apoiaram a família do rottweiler assassinado e fizeram Luíza concluir que “ao mesmo tempo que tem gente ruim, têm pessoas maravilhosas também”. “Obrigada aos de bem”, disse a tutora, que segue homenageando Bentley através da batalha que bravamente enfrenta para fazer justiça pelo doce cão.

(Foto: Reprodução/Instagram/@luizaabduch)

Fonte: anda.jor.br

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui