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Locutora sugere tapa-ouvidos a autistas e animais, diz que proibir fogos barulhentos é contraditório e deputada faz projeto contra venda

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A locutora e ex-vereadora Cleuza Navarini disse durante um programa de rádio em Sinop, no norte do estado, que os pais devem usar tapa ouvidos ou fones de ouvido nas crianças autistas que se incomodam com o barulho dos fogos de artifício.

Além disso, ela sugere que os tutores de animais que têm medo do barulho os coloquem em locais mais seguros durante a queima.

Ao g1, Cleuza disse que estão sendo repercutidos apenas trechos do programa e que eles estão fora de contexto. “Me questionaram que tinha comércios vendendo e eu enfatizei que não tinha lei proibindo vendas, nem fabricação e sorteio, e que também não fiscalizavam e assim por diante”, explicou.

O comentário foi feito no dia 29 de dezembro, pouco antes da virada de ano. Na ocasião, a locutora defende a comemoração com fogos de artifício e anuncia sorteio dos explosivos de efeito.

A fala ganhou repercussão nesta semana e causou discussões nas redes sociais.

“Esses dias eu vi um cachorrinho que se morde inteiro e arranca as unhas quando escuta fogos. Eu tenho uma cachorra que tem medo de chuva, você pode soltar fogos, mas quando tem trovão ela entra em pânico. Então, sempre vamos ter esse tipo de coisa. É mais fácil a pessoa por um tapa ouvidos ou fone em uma criança que tem autismo e saber cuidar do seu animal para passar conforto, do que a gente acreditar que essas leis populistas vão passar, porque é uma tradição mundial”, declarou.

Ainda durante o programa, Cleuza cita que não se pode interferir na tradição e que as leis que proíbem a soltura de fogos não são válidas, pois não proíbem a fabricação e venda.

“As pessoas têm uma tradição de soltar fogos. É aquela história, não tem nenhuma lei proibindo a venda e muito menos sorteios, então a gente vai fazer o sorteio [de fogos] aqui no programa. Não é fácil a fiscalização e, enquanto não proibir fabricação e venda… vocês me desculpem, mas isso são leis que as pessoas fazem para fazer bonito. É populismo”, pontuou.

Em Sinop, existe uma lei que proíbe, desde janeiro de 2021, soltar fogos de artifício com barulho.

Segundo a secretária de Meio Ambiente Ivete Malmmann, a prefeitura, neste ano, também orientou os comerciantes para que não disponibilizem esses materiais nos estabelecimentos. A multa em caso de descumprimento da lei é de R$ 2,3 mil.

O mesmo vale para Cuiabá e Rondonópolis, conforme as leis municipais.

Nova lei em tramitação

Após a repercussão do caso, a deputada estadual Janaína Riva (MDB) anunciou que passou a tramitar, desde quarta-feira (5), um novo projeto de lei que substitui os que já estavam em tramitação na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) e que tratavam apenas da proibição de soltura.

Agora, a lei a ser votada também proíbe, além da soltura, a fabricação e armazenamento de fogos de artifício com estampido em todo o estado.

“Não é sobre o que é mais fácil ou não (até porque quero ver alguém conseguir colocar um fone de ouvido em um autista em crise), é sobre empatia e humanidade”, disse.

‘Revoltante’

Para a presidente da Associação de Amigos do Autista de Mato Grosso (AMA), Kelly Viegas, a fala da profissional de comunicação é revoltante.

“É revoltante. Ela como uma locutora deveria incentivar as pessoas a terem mais empatia com o próximo. E se fosse com ela ou com a família dela? Será que teria essa mesma opinião? Talvez não tenha nem ideia do quanto é difícil para nós pais quando tem queima de fogos e nossos filhos entram em crise”, disse.

Kelly explicou que os autistas têm hipersensibilidade auditiva e são mais sensíveis aos sons que a média da população. Segundo ela, sons como o emitido por fogos de artifício causam dor nessas pessoas.

“O barulho causa uma dor imensa e eles acabam entrando em crise, que pode desencadear uma convulsão. Para eles, isso causa uma sobrecarga sensorial. Às vezes, usamos sim abafadores, mas nem sempre dá certo. Além disso, tem pais que não têm condições de comprar esses aparelhos, então o que fazer?”, questionou.

A psicóloga e mãe de dois autistas, Érica Rezende, contou que em datas comemorativas, como as festas de fim de ano, ela fica com a família trancada dentro de casa.

“Só fala esse tipo de coisa quem não vivencia e não tem o olhar para o outro. É triste ver essa situação. Quando o prazer e a alegria do outro interferem dessa forma na vida de uma pessoa, acho que ultrapassa o direito de liberdade”, pontuou.

Érica é mãe do médico Enã Rezende, de 28 anos, e de uma menina de 14 anos, ambos autistas. A família mora em Rondonópolis, a 218 km de Cuiabá. Neste ano, segundo ela, a passagem de ano foi mais tranquila, pois a lei municipal que proíbe a soltura de fogos foi respeitada pelos moradores.

Érica e a família também são responsáveis pelo projeto ‘Autismo na escola’, que tem por objetivo, por meio de palestras, ensinar crianças e adolescentes sobre o comportamento de um autista e como respeitá-lo.

E os animais, o que sentem durante a queima de fogos?

A protetora Lizia Corrêa, que faz parte da diretoria da Associação Mato-grossense Protetora dos Animais (APAM), explicou que os animais também tem hipersensibilidade auditiva. Segundo a profissional, eles ficam agitados por causa do barulho, o que eleva a temperatura deles e pode causar vômito, diarreia e convulsões.

“Fogos representam medo, estresse, isso porque a audição de um gato ou cão é muito aguçada, muito mais que a dos humanos. Eles sentem tremedeira, se escondem, querem colo de qualquer forma, sentem falta de ar, ficam com a respiração ofegante. Os animais ficam tão traumatizados que, depois, qualquer barulho eles latem muito e fazem xixi de medo”, explicou.

Atualmente, o abrigo administrado pela APAM possui cerca de 60 cães e gatos. Para evitar que eles se assustem durante a soltura de fogos de artifício, os voluntários os colocaram em um local afastado da cidade e fazem o monitoramento por câmeras.

Por Kessillen Lopes

Fonte: G1

 

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