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EXPLORAÇÃO E MORTE : Exausto e maltratado, cavalo morre ao chegar em santuário em SP

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Foto: Divulgação

A luta em defesa dos direitos animais na cidade de Ubatuba dá passos mais largos a cada dia que passa. Diariamente são conquistadas vitórias e histórias com finais felizes se multiplicam nas redes sociais. Devagar e seguindo todos os preceitos legais, os ativistas estão conseguindo romper o teto do obscurantismo e das tradições retrógradas que abusam e exploram animais na cidade. Mas, infelizmente, a ganância e a inconsciência humana continuam fazendo vítimas.

Os ativistas descobriram o caso de Tupinambá após o guardião do animal tentar entregá-lo muito debilitado para o proprietário de um sítio que está sob supervisão judicial. Temendo ter problemas legais, o dono do local devolveu Tupinambá ao tutor. Após saberem do caso, os ativistas foram atrás do animal para salvá-lo. Ao procurarem o cavalo, eles foram enganos pelo guardião do animal, que só contou o verdadeiro paradeiro do cavalinho após ser pressionado.

O cavalo havia sido entregue a um homem da cidade de São Luiz do Paraitinga. Os ativistas se dirigiram até o local com uma carreta para resgatar Tupinambá. Ele foi encontrado agonizando e seu resgate foi muito delicado. Após ser salvo, o cavalo foi transportado para o Santuário Filhos de Shanti, ONG que realiza um importante trabalho de acolhimento de animais de grande porte vítimas do descaso humano na cidade de Pindamonhangaba, no interior de São Paulo.

Tupinambá resistiu à difícil viagem. Assim que chegou no santuário ele recebeu soro, feno, água e todos os cuidados veterinários. Ele estava no lugar onde finalmente conheceria a liberdade, a felicidade e o amor e temporariamente ele sentiu que todos que estavam ao redor fariam qualquer coisa para assegurar que ele jamais seria maltratado novamente. Certo de que estava em segurança, Tupinambá fechou seus olhos e faleceu na manhã do dia 28 de julho.

A advogada e ativista em defesa dos direitos animais Jaqueline Tupinambá Frigi, usou seu perfil no Facebook para prometer justiça ao cavalinho e dizer adeus. “Tupinambá descansou. Apesar da tristeza profunda, já aviso ao tutor, que tem mais potros, que mentiu para mim, que tentou esconder esse sofredor, que essa morte não ficará impune. Ele encontrou a liberdade, sua alma voltou a ser amplidão, seus olhos voltaram a brilhar, iluminados… Iluminadores”, diz a postagem.

Tupinambá também foi homenageado pela ativista Rosangela Coelho, do Santuário Filhos de Shanti. “Nessa manhã nosso Tupinambá recebeu o ritual de despedida e devolução do seu corpo (frágil, sugado até a morte) para a Gaia, nossa Mãe Geradora. Nosso penúltimo gesto de amor por ele. O último será fazer com que o responsável responda por esse crime e seus outros animais sejam resgatados, amparados a tempo de desfrutar a vida em liberdade. Precisamos despertar a humanidade para que os animais possam dormir em paz”, lamentou em um post no Facebook.

O laudo da morte de Tupinambá aponta como causa do falecimento maus-tratos e exaustão. Jaqueline Frigi realizou nesta terça (30) uma representação no Ministério Público. A preocupação agora são os outros equinos que estão sob a guarda do ex tutor de Tupinambá. Casos com o do cavalinho, infelizmente, podem voltar a ocorrer, graças ao PL de autoria do vereador José Roberto Monteiro Junior (PODEMOS), que autoriza a montaria, venda e exploração de cavalos na cidade.

Feito de forma astuta, o projeto inicialmente parece ter intenção de proteger cavalos e éguas. Ele dispõe inicialmente de parágrafos que condenam maus-tratos e incentivam o contato entre humanos e animais em práticas de equoterapia, atividade já autorizada e regulamentada na cidade que carece de novas regulamentações, mas logo demonstra sua real intenção, autorizar a exploração de animais em práticas de montaria e outras atividades.

Os ativistas esperam que a morte de Tupinambá se torne símbolo das consequências do abuso e exploração de animais. Jaqueline Frigi alerta que é importante denunciar casos de maus-tratos. “Todos que presenciarem qualquer caso de maus-tratos a animais pode acessar o site da Delegacia Eletrônica de Proteção Animal (Depa). A denúncia pode ser realizada de forma anônima, basta anexar fotos e vídeos. Também não é necessário se identificar”, reforça.

E completa: “Também é possível realizar denúncias enviando mensagens para a página Direito Animalista Ubatuba via inbox. Nós analisaremos e tomaremos todas as providências dentro do possível. A ajuda da população é fundamental para construirmos uma cidade que preza pela humanidade e compaixão. Vamos ajudar a fazer de Ubatuba uma cidade modelo como exemplo de civilidade e respeito aos animais. Denunciar é um ato de cidadania e pode salvar muitas vidas. Faça sua parte”, concluiu a advogada.

Fonte: anda.jor.br

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