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Cadela é resgatada de casa em Contagem (MG) após ser supostamente enforcada por tutor

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Foto: Divulgação

Duas cadelas da raça pitbull, mãe e filha, foram resgatadas de uma residência de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, após denúncias de maus-tratos. Uma delas foi enforcada, conforme informações divulgadas pela Polícia Civil durante coletiva na sexta-feira (5). 

“No dia 2 de janeiro, uma representante da Comissão de Defesa do Direito Animal da OAB compareceu à delegacia solicitando um registro de ocorrência para noticiar que estaria circulando em redes sociais um vídeo onde um indivíduo  aparecia enforcando uma cachorra da raça pitbull através da coleira, suspendendo essa cachorra.  E não seria a primeira vez dessa conduta”, explicou o delegado Pedro Henrique Vieira.

Segundo ele, a casa, que fica no bairro Nova Contagem, começou a ser monitorada. Em razão da repercussão do vídeo, o tutor, de 31 anos, retirou os animais do imóvel e levou para outro local. 

“Instruimos procedimento e representamos pela autorização judicial para busca e apreensão no local. Tão logo tivemos conhecimento que esses animais retornaram à residência, na data de ontem, estivemos no local. Como os cachorros apresentavam agressividade, nós solicitamos também o apoio do Corpo de Bombeiros”, detalhou o policial. 

“Corretivo”

O tutor dos animais compareceu à delegacia acompanhado de um advogado informando que, na ocasião em que o vídeo foi gravado, ele deu um corretivo na cadela após ela matar um frango. Sobre as outras denúncias de maus-tratos, ele não se pronunciou. 

“No primeiro momento quando a unidade teve conhecimento dos fatos, não havia mais situação de flagrante. Ele compareceu à delegacia, confessou a prática delitiva e, como ele não tem criado nenhum percalço na investigação, não houve a necessidade de solicitar a prisão preventiva dele. A situação pode mudar se ele ameaçar testemunhas ou alguma coisa do tipo”, afirmou Vieira.

Posição

A reportagem de O TEMPO conseguiu entrar em contato com o tutor dos bichos para ele dar um posicionamento sobre os fatos. Segundo Paulo Eduardo de Almeida, os fatos relatados pela polícia estão equivocados, pois não foi bem assim que aconteceu.

“Eu fui passar a noite do dia 31 na casa da minha sogra e só voltei no outro dia de manhã para tratar das cadelas. Teve um momento em que elas atacaram a minha galinha e começaram a brigar entre si. Por causa disso, eu tive que tirar a galinha de dentro da boca da menor, mas ela ficou muito agressiva, então eu levantei ela por uns 30 segundos pelo pescoço e fui amarrar a outra na árvore”, contou.

“Ela ficou assim porque nunca teve contato com sangue ou outros animais. Eu só trato com ração, levo elas ao veterinário e dou vacinas. Eu admito que segurei uma no ar e tive que amarrar a outra na árvore, mas é porque a menor, ainda não deu tempo de adestrar”, disse.

Conforme Almeida, que trabalha como lavador de carros, não houve maus tratos, nem nessa ocasião, nem em outras. “É muito triste isso, sabe? Quem me conhece sabe como eu as trato. Eu tenho até cavalo, que é super bem cuidado. Até na hora de colocar na viatura, eles queriam prender, mas eu disse que não precisava, e falei para elas ficarem quietinhas, e elas ficaram. Vou fazer o possível e o impossível para ter elas de volta”, apelou.

Zoonoses

Mãe, que tem dois anos e dois meses, e filha, que tem oito meses, foram recolhidas e encaminhadas ao Centro de Controle de Zoonoses e, posteriormente, podem ser levadas para alguma instituição de apoio e cuidado ao animal. 

“O local em que eles viviam é insalubre, não tinha requisitos mínimos para criação de animais. Os cachorros não estavam sendo bem tratos no local. Soma-se a isso as agressões praticadas. Aparentemente, os animais não estavam com lesões, mas já solicitei ao médico veterinário uma análise mais criteriosa e profissional da condição clínica deles. Não existe raça violenta por si só. A criação é essencial para a formação desse cachorro. Acredito que essas agressões influenciem na agressividade desses animais”, detalhou o policial.

Lei Sanção

Sancionada em 2020, a lei Sanção aumentou a pena para quem maltrata animais. “O indivíduo será indiciado pela nova lei Sanção, em que se tratando de crimes de maus-tratos contra cães e gatos a pena passou de três meses a um ano para dois a cinco anos de prisão. Houve um agravamento substancial da pena e esse indivíduo será indiciado. A princípio, ele responde em liberdade, mas isso não impede que eventualmente seja requerida a prisão preventiva ou ao final do processo ele seja preso em razão dessa condenação”, finalizou o delegado.

Por Carolina Caetano, com Gabriel Moraes

Fonte: O Tempo

 

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