Início DESTAQUES Cães e gatos ajudam tutores a lidar com a pandemia, mas também...

Cães e gatos ajudam tutores a lidar com a pandemia, mas também sofrem com o estresse

169
0

Caroline Siqueira | Redação ANDA

Foto: Pixabay

Com o decorrer da pandemia, fica cada vez mais claro que as pessoas estão procurando apoio e amor nos animais domésticos para passar por esse período tão conturbado.

A demanda de adoções de animais aumentou e as ofertas de abrigos temporários também desde quando o isolamento social começou. Entre março e setembro de 2020, o número de animais mantidos em lares temporários nos Estados Unidos aumentou 8%, de acordo com o PetPoint, sistema que coleta dados sobre a adoção de animais domésticos. Os benefícios que os animais trazem para nós vão desde diminuição da pressão arterial até menores índices de estresse. Mas em contrapartida, eles podem estar se sobrecarregando com isso. Alguns animais estão manifestando sinais de estresse, como aumento de latidos, medo de ruídos altos ou repentinos e ansiedade ao ficarem sozinhos em casa.

Em uma pesquisa realizada em abril de 2020, Jon Bowen, consultor comportamental da Royal Veterinary College, faculdade de medicina veterinária da Universidade de Londres, entrevistou 1.297 donos de cães e gatos da Espanha sobre suas relações com seus animais durante a pandemia de Covid-19. A maioria respondeu que seus animais proporcionaram um apoio considerável durante esse período, entretanto, 62% dos entrevistados acreditam que a qualidade de vida de seus animais diminuiu. Cerca de 41% deles também relatou ter observado mudanças comportamentais em seus animais durante a pandemia, especialmente em cães que já haviam apresentado problemas de comportamento no passado.

Em outro estudo, agora realizado em abril e junho de 2020 por Elena Ratschten, professora titular da Universidade de York, na Inglaterra, entrevistou 5.926 tutores de animais a respeito de suas experiências pessoais com seus animais durante a crise sanitária. Pessoas que relataram ser mais vulneráveis a problemas de saúde mental antes do confinamento responderam que fortaleceram seus laços com seus animais durante a pandemia. Mas ambos os estudos indicados demonstraram que os tutores de animais adquiriram novas preocupações, como  nível necessário de exercício a seus cães, a capacidade de comprar ração, acesso a atendimento veterinário, um possível cuidador do animal caso seu tutor adoeça e a incerteza de como será a adaptação do animal após a pandemia de Covid-19.

Nenhum dos levantamentos comprovaram que os animais domésticos protegem as pessoas contra piora no quadro de distúrbios mentais e aumento da solidão. Tecnicamente, adotar um animal não significa que será mais fácil a trajetória durante essa fase difícil, como muitos pensam. “Tenho visto anúncios na imprensa como ‘solitário durante a pandemia? Arrume um amigo de quatro patas!’ Mas a questão é mais complexa e a ciência está começando a comprovar isso”, afirma a professora Elena Ratschten.

Com toda essa propaganda de adoção, muitos levam um animal para casa de forma irresponsável, sem pesar seus deveres com a vida que está cuidando. Ao menos nos Estados Unidos, especialistas na área preveem um aumento no abandono de animais domésticos devido à pandemia de Covid-19, por motivos como incapacidade de cuidar de seus animais ou falta de moradias que aceitem animais.

Apesar disso, um dado muito relevante apontado nessas pesquisas é que quase 80% das pessoas que adotaram um cachorro em 2020 já planejavam essa adoção, o que indica que as pessoas não estão levando um novo pet para casa de forma impulsiva. Tal como no estudo de Bowen, o estudo de Morgan também revelou que uma pessoa com uma percepção de que sua própria qualidade de vida deteriorou pode acreditar que também houve uma piora no comportamento de seus animais domésticos, ainda que não seja verdade.  Então, tanto Bowen quanto Ratschten acreditam que mesmo com esse parecer do aumento de comportamentos difíceis por parte dos animais, exceto os que apresentam níveis graves e anormais, eles estão se saindo bem no geral.

Fonte: anda.jor.br

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui